Comunidade Terra Roxa realiza encontro de formação de lideranças sobre os desafios da associação e roda de conversa para as crianças sobre identidade comunitária

Estas duas atividades no âmbito do Projeto Terra Roxa aconteceram no sábado, dia 25 de janeiro, desta vez na congregação evangélica Monte do Senhor, da Assembleia de Deus. Pois embora a CPT seja uma entidade ligada a Igreja Católica, o seu trabalho acolhe a todas as religiões, sem fazer distinção. Salientando esse aspecto ecumênico, o salão comunitário da congregação evangélica sediou o evento. A escolha do local busca dinamizar este processo de ecumenismo e acolher mais participantes. Assim o evento contou com a participação de 34 pessoas, entre adultos e crianças da comunidade.

A Terra Roxa é uma comunidade formada por pessoas vindas de vários lugares do Brasil, com grande diversidade cultural e religiosa. Um projeto voltado para um povo tão diverso e plural, precisa saber dialogar com todas as crenças e religiões, tratando todas com a mesma importância e espaço. Por isso necessidade de pensar bem, como viver o ecumenismo em eventos como esse, que agreguem pessoas de diferentes segmentos da comunidade.

O dirigente da Congregação Monte do Senhor, Iris Alves da Silva, que é morador da Terra Roxa há oito anos, acredita que o projeto que está sendo realizado será muito importante para todas as famílias da Comunidade, em especial por melhorar a renda dos agricultores. “A pessoa às vezes investe numa renda só dentro da terra, isso não é bom, né? Eles (a CPT) têm um projeto para aumentar outras frentes de renda diferentes, como criação de peixe, de aves, produção de polpas e alimentos, isso é muito bom”, explica o dirigente.

O encontro iniciou com um momento de interação coletiva, onde todos os presentes foram convidados a participar. Depois, em um segundo momento, adultos e crianças se dividiram para realizar atividades específicas voltadas para cada grupo. As meninas e os meninos tiveram uma roda de conversas sobre identidade comunitária. Foram incentivados a pensar e discutir sobre os problemas que eles mesmos percebem na comunidade e também sobre os seus pontos positivos. Temas como violência contra pessoa, depredação da natureza, queimadas, corte de árvores e caça indiscriminada de animais foram listadas como problemáticas pelas crianças. Em contrapartida, os elementos naturais – como a floresta, as frutas, as flores, os animais e a terra – foram apontadas como os melhores aspectos locais.

Depois disso, as crianças construíram juntas, com suas próprias mãos, um globo terrestre feito de papel, que depois pintaram de azul e decoraram com várias folhas e sementes para representar a beleza da natureza. Esse exercício de reflexão ajuda as pequenas e os pequenos a se situarem no mundo e se perceberem como membros da Comunidade Terra Roxa.

Os pais das crianças e demais adultos, por sua vez, com a assessoria da CPT, focaram sua discussão nos desafios enfrentados pela Associação dos Pequenos Produtores Rurais da Terra Roxa e refletiram sobre como superá-los. Um dos temas de destaque na conversa foi a preservação do meio ambiente, sobre a importância de evitar o desmatamento, evitar as queimadas, um assunto que vem sendo discutido por todo o país, segundo Iris. 

Outro tópico importante do debate foi como agir perante alguns agricultores que se sentem inseguros sobre o projeto e incentivam os demais moradores a não participarem também. De acordo com Iris, esse é um desafio constante para a associação lidar. Mas, segundo ele, a chave é manter a tranquilidade no diálogo. “Isso aí é algo que acontece mesmo, né? Sabemos que trabalhar com seres humanos, em primeiro lugar, tem que ter a paciência, principalmente dos líderes. Os líderes tendo paciência, sabendo conversar, organizando… chega ao ponto de ter mais pessoas de acordo. Mas tem que perseverar, ter ciência, saber trabalhar com as pessoas”, explica. Ele ressalta que a associação deve estar sempre formando novos líderes, pessoas que trabalhem pela união de todos os moradores da Comunidade Terra Roxa.